Pré-operatório

Risco cirúrgico para cirurgia ortopédica

Prótese de joelho, quadril, coluna ou fratura: o desafio aqui não é só a cirurgia, é a imobilidade que vem depois.

Risco cirúrgico para cirurgia ortopédica — orientação com a Dra. Fernanda Pimenta, cardiologista

Cirurgias ortopédicas de grande porte, como prótese de joelho e de quadril e cirurgias de coluna, quase sempre exigem avaliação cardiológica pré-operatória. Elas reúnem uma combinação particular de fatores: pacientes com idade mais avançada, tempo cirúrgico prolongado, possibilidade de perda sanguínea e, principalmente, um período de imobilidade no pós-operatório que eleva o risco de trombose. Há ainda um detalhe que costuma passar despercebido: quem vai operar o joelho ou o quadril geralmente já está com dor há meses, andando pouco.

O problema de avaliar quem já não caminha

A capacidade funcional é a informação mais valiosa de qualquer avaliação pré-operatória. A pergunta padrão é se a pessoa consegue subir um lance de escada ou caminhar alguns quarteirões sem parar.

Em ortopedia, essa pergunta esbarra num obstáculo: o paciente não caminha porque dói, não porque o coração não aguenta. Alguém com artrose avançada de joelho pode ter um coração excelente e mesmo assim não conseguir subir escadas.

Isso cria uma zona cega real. Sem conseguir testar o esforço, o médico perde justamente o dado que melhor prediz a tolerância à cirurgia, e não dá para saber se existe uma limitação cardíaca escondida atrás da limitação ortopédica.

Por isso, nesse contexto, é mais comum que o cardiologista peça exames complementares que avaliam o coração sem depender da caminhada. E é por isso também que vale relatar com precisão o que você conseguia fazer antes da dor começar. Se há dois anos você subia escadas sem dificuldade e a limitação de hoje é claramente do joelho, essa informação orienta a avaliação.

Preste atenção também em sintomas que aparecem em repouso ou com esforço mínimo: falta de ar ao deitar, cansaço ao tomar banho ou se vestir, inchaço nas pernas. Esses não são explicados pela ortopedia e merecem investigação.

Trombose: o ponto crítico da ortopedia

Cirurgias de quadril e joelho estão entre as de maior risco de trombose venosa profunda entre todos os procedimentos, e por isso a profilaxia é rotina, não exceção.

A razão é a soma de fatores: manipulação de ossos longos, tempo cirúrgico, e sobretudo a imobilidade prolongada no pós-operatório, num membro que já está inflamado pela cirurgia.

A profilaxia costuma envolver medicação anticoagulante por um período após a cirurgia, meias de compressão, dispositivos de compressão pneumática e mobilização o mais cedo possível.

Sobre a mobilização precoce, vale insistir: é a medida em que você tem participação direta. Levantar e caminhar assim que a equipe liberar, mesmo com dor e mesmo por poucos passos, reduz risco de forma concreta. A fisioterapia no pós-operatório imediato não é conforto nem pressa, é prevenção.

Informe ao médico se você já teve trombose, se alguém da família teve, se usa anticoncepcional ou terapia hormonal e se fez viagens longas recentemente. Tudo isso muda o plano de profilaxia.

Cirurgia de fratura no idoso: a corrida contra o tempo

A fratura de quadril em pessoas idosas merece um espaço próprio, porque a lógica se inverte em relação às cirurgias eletivas.

Nesse cenário, adiar tem custo alto. A permanência acamada aumenta o risco de pneumonia, trombose, infecção urinária, úlceras de pressão e delirium. Existe consenso crescente de que operar dentro de um prazo curto melhora os desfechos.

Isso significa que a avaliação cardiológica precisa ser ágil e objetiva: identificar o que muda a conduta agora, sem transformar a investigação num processo que atrasa a cirurgia sem benefício.

Exames adicionais só entram se o resultado for realmente mudar alguma coisa no manejo. Pedir uma bateria completa que adia a cirurgia por dias, num paciente idoso acamado, pode causar mais dano do que o achado que se pretendia encontrar.

Se a família estiver diante dessa situação, uma pergunta útil à equipe é: este exame vai mudar a decisão ou a técnica cirúrgica? Se não, vale discutir a real necessidade diante do custo de esperar.

Como se preparar

Descreva sua capacidade funcional antes da dor. É o dado que ajuda a separar limitação ortopédica de limitação cardíaca.

Relate sintomas que não se explicam pelo problema ortopédico: falta de ar deitado, cansaço em repouso, palpitações, inchaço nas pernas, tontura.

Leve a lista completa de medicações. Quem tem dor crônica costuma usar anti-inflamatórios com frequência, e eles afetam plaquetas e função renal. Informe inclusive os que compra sem receita.

Informe histórico pessoal e familiar de trombose, uso de anticoncepcional ou terapia hormonal.

Leve exames anteriores, especialmente eletrocardiogramas antigos, que servem de comparação.

Organize o pós-operatório antes de operar: quem vai acompanhar, como será o transporte, se a casa precisa de adaptação como retirar tapetes soltos, instalar barras de apoio e melhorar a iluminação. Em cirurgia de quadril e joelho, o preparo da casa influencia diretamente a recuperação e o risco de queda.

Se possível, movimente-se dentro do que a dor permite nas semanas anteriores. Exercícios de membros superiores, respiração e o que o fisioterapeuta orientar ajudam a chegar em melhor condição, mesmo com a limitação do membro que será operado.

Conteúdo informativo, escrito pela Dra. Fernanda Pimenta. Não substitui uma consulta médica. Em caso de sintomas graves, procure atendimento de emergência.

Tire suas dúvidas

Perguntas frequentes

Cirurgia de prótese de joelho ou quadril precisa de avaliação cardiológica?

Quase sempre. São cirurgias de grande porte que reúnem idade mais avançada, tempo cirúrgico prolongado, possibilidade de perda sanguínea e um período de imobilidade no pós-operatório que eleva bastante o risco de trombose. A avaliação orienta tanto a segurança do procedimento quanto o plano de profilaxia.

Não consigo caminhar por causa da dor. Como avaliam meu coração?

Esse é um desafio real da ortopedia: a limitação da dor esconde a capacidade funcional, que é o melhor preditor de tolerância à cirurgia. Por isso é mais comum que o cardiologista peça exames que avaliam o coração sem depender do esforço. Ajuda muito relatar o que você conseguia fazer antes da dor começar.

Por que cirurgia ortopédica tem tanto risco de trombose?

Pela soma de manipulação de ossos longos, tempo cirúrgico e principalmente a imobilidade prolongada no pós-operatório. Cirurgias de quadril e joelho estão entre as de maior risco entre todos os procedimentos, e por isso a profilaxia com anticoagulante, meias de compressão e mobilização precoce é rotina.

Idoso com fratura de quadril deve esperar para operar?

Em geral não. Nesse caso adiar tem custo alto: a permanência acamada aumenta o risco de pneumonia, trombose, infecção urinária e delirium. A avaliação cardiológica precisa ser ágil, identificando o que muda a conduta agora. Uma pergunta útil à equipe é se determinado exame vai mesmo mudar a decisão ou a técnica cirúrgica.

Uso anti-inflamatório para a dor. Preciso avisar?

Sim. Anti-inflamatórios como ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno afetam as plaquetas e a função renal, e frequentemente são suspensos no pré-operatório. Informe inclusive os que você compra sem receita ou usa apenas nos dias de dor mais forte.