Pré-operatório

Risco cirúrgico para cirurgia de coluna

Cirurgia de coluna costuma ser mais longa, com o paciente de bruços e possibilidade de perda de sangue. Entenda por que isso muda a avaliação cardiológica.

Risco cirúrgico para cirurgia de coluna — ilustração do artigo da Dra. Fernanda Pimenta, cardiologista em Brasília-DF

A cirurgia de coluna — de uma descompressão simples de hérnia de disco até uma artrodese com vários níveis — é uma das que mais justificam uma avaliação cardiológica cuidadosa. O motivo não é o coração mexer diretamente com a coluna, e sim três características do procedimento: ele costuma ser mais demorado, muitas vezes feito com o paciente de bruços (posição prona), e com potencial de perda de sangue. Some a isso a recuperação, em que a mobilidade fica reduzida por um tempo, e você entende por que o cardiologista olha esse caso de perto.

Por que a avaliação é mais detalhada nesse caso

Na maioria das cirurgias, o cardiologista estima o risco de complicações do coração diante daquele procedimento. Na coluna, existem camadas a mais ligadas à própria técnica cirúrgica.

A posição de bruços altera o retorno do sangue ao coração e a mecânica da respiração durante a anestesia. Em quem já tem alguma limitação cardíaca, isso precisa ser conhecido antes.

O tempo de cirurgia importa porque procedimentos mais longos aumentam a exposição à anestesia e o risco de oscilações de pressão. E a possibilidade de sangramento em artrodeses maiores entra no planejamento de quem usa antiagregante ou anticoagulante.

Por fim, a redução de mobilidade no pós-operatório aumenta o risco de trombose nas pernas, que pode ter repercussão no pulmão e no coração. Por isso a prevenção de trombose faz parte do plano desde antes.

O que costuma ser avaliado

Histórico clínico completo: pressão, diabetes, colesterol, tabagismo, infarto ou AVC anteriores, stent, e todas as medicações em uso, com destaque para antiagregantes e anticoagulantes.

Capacidade funcional: o que você consegue fazer sem cansar. Em quem tem dor crônica de coluna e já se movimenta pouco, essa informação exige um pouco mais de conversa para ser bem estimada.

Eletrocardiograma: exame básico, quase sempre solicitado.

Exames de sangue: hemograma (pela possibilidade de sangramento), função renal, glicemia e perfil lipídico.

Ecocardiograma e testes de esforço: conforme os sintomas e os achados, não como rotina.

Plano de medicações e de prevenção de trombose: o que manter, o que suspender, e as medidas para proteger as pernas no pós-operatório.

Trombose: um cuidado que começa antes da cirurgia

A cirurgia de coluna reúne alguns fatores que favorecem a formação de coágulos nas veias das pernas: imobilidade durante um procedimento longo e repouso maior na recuperação.

Um coágulo que se forma na perna pode se soltar e viajar até o pulmão — a chamada embolia pulmonar —, que é uma das complicações graves que a equipe quer evitar.

Por isso o plano de prevenção começa antes: avaliação do risco individual, uso de meias ou dispositivos de compressão, mobilização precoce assim que possível e, em muitos casos, medicação preventiva no período adequado.

Quem já teve trombose, embolia ou tem fibrilação atrial precisa comunicar isso claramente, porque muda o planejamento de forma importante.

O que pode adiar a liberação

Sintomas cardíacos não esclarecidos: dor no peito, falta de ar desproporcional, palpitações frequentes ou desmaios.

Pressão descontrolada, que costuma exigir ajuste antes de uma cirurgia com oscilações previsíveis.

Stent ou infarto recentes, que têm tempo de espera recomendado para cirurgias eletivas.

Anemia importante, que num procedimento com risco de sangramento merece ser investigada e corrigida antes.

Como a maioria das cirurgias de coluna é eletiva, há espaço para resolver essas pendências. Chegar bem preparado é o que torna a recuperação mais tranquila.

Conteúdo informativo, escrito pela Dra. Fernanda Pimenta. Não substitui uma consulta médica. Em caso de sintomas graves, procure atendimento de emergência.

Tire suas dúvidas

Perguntas sobre risco cirúrgico para coluna

Por que a cirurgia de coluna precisa de avaliação cardiológica?

Porque ela costuma ser mais longa, muitas vezes feita com o paciente de bruços e com possibilidade de perda de sangue — três fatores que exigem um coração preparado. Além disso, a recuperação com mobilidade reduzida aumenta o risco de trombose nas pernas, o que faz a prevenção começar antes mesmo da cirurgia.

A posição de bruços durante a cirurgia é um problema para o coração?

Para a maioria das pessoas, não. Mas essa posição altera o retorno do sangue ao coração e a mecânica da respiração durante a anestesia, então em quem já tem alguma limitação cardíaca é importante conhecer isso antes. É justamente o tipo de informação que a avaliação pré-operatória levanta.

Preciso parar os remédios que afinam o sangue antes da cirurgia de coluna?

Em cirurgias com risco de sangramento, como algumas artrodeses, antiagregantes e anticoagulantes geralmente precisam de ajuste. Quanto suspender e quando depende do remédio, do motivo pelo qual você o usa e de você ter ou não stent. A decisão é individual e combinada entre cardiologista, cirurgião e anestesista — nunca por conta própria.

Como é feita a prevenção de trombose na cirurgia de coluna?

Com um conjunto de medidas: avaliação do risco individual, meias ou dispositivos de compressão, mobilização o quanto antes na recuperação e, em muitos casos, medicação preventiva no período adequado. Quem já teve trombose, embolia ou tem fibrilação atrial deve informar, porque isso muda bastante o planejamento.

Quais exames o cardiologista pede antes da cirurgia de coluna?

Eletrocardiograma e exames de sangue são os mais frequentes, incluindo o hemograma pela possibilidade de sangramento e a função renal. Ecocardiograma e testes de esforço entram conforme os sintomas e os achados, e não como rotina obrigatória. O objetivo é adequar a investigação ao seu caso.