Pré-operatório

Risco cirúrgico para cirurgia de catarata

É a cirurgia de menor risco cardíaco que existe, e mesmo assim muita gente recebe o pedido de avaliação. Entenda o que faz sentido avaliar e o que não precisa ser repetido.

Risco cirúrgico para cirurgia de catarata — orientação com a Dra. Fernanda Pimenta, cardiologista

A cirurgia de catarata é classificada como de baixo risco cardiovascular. Ela é rápida, feita quase sempre com anestesia local ou tópica associada a sedação leve, sem grande perda de sangue e sem o estresse circulatório de uma cirurgia maior. Ainda assim, é comum que o oftalmologista ou o anestesista peçam a avaliação. O motivo raramente é a cirurgia em si: é o perfil de quem opera, já que a catarata é mais frequente a partir dos 60 anos, faixa em que hipertensão, diabetes e arritmias são comuns.

Por que pedem avaliação numa cirurgia de baixo risco

O risco de uma cirurgia tem dois componentes: o do procedimento e o do paciente. Na catarata, o primeiro é baixo. O segundo é o que interessa.

A idade média de quem faz a cirurgia significa que boa parte dos pacientes tem hipertensão, diabetes, alguma arritmia ou histórico cardíaco. Muitos usam medicações que precisam ser conhecidas antes do procedimento, especialmente anticoagulantes e antiagregantes.

Existe ainda uma razão prática que raramente é explicada ao paciente: a cirurgia de catarata exige que a pessoa fique deitada e imóvel por alguns minutos, com o rosto parcialmente coberto. Quem tem falta de ar ao deitar, dor lombar intensa, tremor importante ou ansiedade acentuada pode ter dificuldade nessa posição. Saber disso antes permite planejar a sedação de forma adequada.

Em muitos serviços, o pedido de avaliação para catarata é protocolo institucional, aplicado a todos os pacientes acima de determinada idade, independentemente do quadro clínico. Não significa que exista suspeita de problema no seu caso.

O que costuma ser avaliado

Em pessoas estáveis, sem sintomas novos, a avaliação para catarata costuma ser bem mais simples do que muita gente imagina.

O foco fica em três perguntas. A primeira: sua condição cardiovascular está estável, sem sintomas novos desde a última consulta? A segunda: sua pressão está controlada? A terceira, e mais importante nesse contexto: quais medicações você usa, especialmente as que interferem na coagulação.

O eletrocardiograma costuma ser solicitado, e em quem já tem um recente e permanece estável, é frequente que o exame anterior seja aceito.

Exames mais elaborados como ecocardiograma, teste ergométrico ou cintilografia não são rotina para catarata. Eles entram apenas se a avaliação identificar sintoma novo ou alteração que justifique investigação, e nesse caso a razão é a sua saúde, não a cirurgia dos olhos.

Se alguém sugerir uma bateria extensa de exames para uma cirurgia de catarata em um paciente estável e sem queixas, é razoável perguntar qual achado clínico motivou cada pedido.

Anticoagulantes e antiagregantes: o ponto central

Esta é, na prática, a questão mais relevante da avaliação pré-catarata, e vale entender bem.

Muitos pacientes nessa faixa etária usam ácido acetilsalicílico (AAS), clopidogrel, varfarina ou anticoagulantes orais diretos como rivaroxabana, apixabana ou dabigatrana. Essas medicações reduzem o risco de trombose, infarto e AVC, e suspendê-las tem custo.

A boa notícia é que a cirurgia de catarata moderna, feita por facoemulsificação com incisão muito pequena, costuma sangrar pouquíssimo. Por isso, na maior parte dos casos, essas medicações são mantidas.

Nunca suspenda anticoagulante ou antiagregante por conta própria antes de uma cirurgia. Interromper por iniciativa própria, especialmente em quem tem stent, fibrilação atrial ou histórico de trombose, pode causar um evento grave. A decisão é sempre conjunta entre o médico que prescreveu, o cirurgião e o anestesista.

Leve a lista completa das suas medicações com as doses para a consulta. Se possível, fotografe as caixas. Essa informação vale mais para o seu caso do que qualquer exame adicional.

Como se organizar

Confirme com a clínica de oftalmologia o que exatamente é exigido: em alguns serviços basta uma avaliação clínica, em outros o pedido é especificamente de cardiologista.

Pergunte também qual prazo de validade o serviço aceita para o laudo. O padrão mais comum é 30 dias.

Leve os exames que já tem, mesmo os de meses atrás. Em cirurgia de baixo risco e paciente estável, exames anteriores frequentemente são aceitos e evitam repetição desnecessária.

Se você opera os dois olhos em datas separadas, pergunte se o mesmo laudo cobre os dois procedimentos ou se será preciso uma nova avaliação para o segundo. Isso varia conforme o intervalo entre as cirurgias e a política do serviço.

E mantenha a rotina dos seus remédios até que alguém oriente o contrário. A tendência natural de "parar tudo antes da cirurgia" costuma criar mais risco do que evitar.

Conteúdo informativo, escrito pela Dra. Fernanda Pimenta. Não substitui uma consulta médica. Em caso de sintomas graves, procure atendimento de emergência.

Tire suas dúvidas

Perguntas frequentes

Cirurgia de catarata precisa de risco cirúrgico?

A cirurgia de catarata é de baixo risco cardiovascular, mas a avaliação costuma ser pedida por causa do perfil dos pacientes, geralmente acima dos 60 anos, com hipertensão, diabetes ou uso de anticoagulantes. Em muitos serviços é protocolo institucional aplicado a todos acima de certa idade, e não indício de problema no seu caso.

Preciso parar o AAS ou o anticoagulante antes da catarata?

Na maioria dos casos, não. A cirurgia de catarata moderna sangra muito pouco, e essas medicações costumam ser mantidas. Nunca suspenda anticoagulante ou antiagregante por conta própria: em quem tem stent, fibrilação atrial ou histórico de trombose, interromper pode causar um evento grave. A decisão é do médico que prescreveu, junto com o cirurgião e o anestesista.

Quais exames são pedidos para a catarata?

Em pessoas estáveis, geralmente eletrocardiograma e exames de sangue básicos, e é frequente que um eletrocardiograma recente já existente seja aceito. Ecocardiograma, teste ergométrico e cintilografia não são rotina para catarata: entram apenas se a avaliação identificar sintoma novo ou alteração que justifique investigação.

Posso usar o mesmo laudo para operar os dois olhos?

Depende do intervalo entre as cirurgias e da política do serviço. Se as duas acontecerem dentro do prazo de validade do laudo, geralmente 30 dias, é comum que o mesmo documento seja aceito. Se o intervalo for maior, costuma ser necessária uma nova avaliação. Confirme com a clínica de oftalmologia antes.

Pressão alta impede a cirurgia de catarata?

Hipertensão bem controlada não impede. O que preocupa é a pressão muito elevada e descontrolada no dia do procedimento, que pode levar ao adiamento. Mantenha suas medicações na rotina habitual e siga a orientação da equipe sobre tomar os remédios da pressão na manhã da cirurgia.