Se a sua cirurgia está próxima e você ainda não fez a avaliação cardiológica, na maioria dos casos dá tempo. A avaliação de risco cirúrgico é uma consulta, não um exame com fila de laboratório, e quando o paciente chega com os exames pedidos pelo cirurgião em mãos, o laudo costuma ser entregue ao fim do próprio atendimento. O que trava não é a agenda: é chegar sem os exames, sem a lista de medicamentos ou sem saber qual cirurgia será feita.
O que fazer hoje, nesta ordem
Primeiro, ligue para a secretaria do seu cirurgião. Confirme duas informações: qual prazo de validade o hospital aceita para o laudo e se há alguma exigência específica, como avaliação obrigatoriamente com cardiologista. Isso evita você fazer a avaliação no lugar errado ou no formato errado.
Segundo, reúna o material. O pedido do cirurgião ou do anestesista, todos os exames que você já tem em casa, a lista dos seus medicamentos com as doses e os laudos de doenças ou cirurgias anteriores. Este passo é o que mais determina se você resolve tudo em uma consulta.
Terceiro, procure um serviço que trabalhe com encaixe e diga a data da cirurgia logo na primeira frase do contato. Não deixe para explicar a urgência na recepção no dia. Quem agenda precisa saber do prazo para priorizar o seu caso.
Quarto, se faltar algum exame, pergunte no momento de marcar se o serviço realiza eletrocardiograma no local. Resolver exame e consulta no mesmo endereço pode economizar dias.
Quanto tempo antes ainda é viável
Com 2 a 4 semanas: é a janela ideal. Há tempo para a avaliação, para um exame complementar se for necessário e para ajustar medicação antes da cirurgia.
Com 1 semana: ainda é confortável se você tiver todos os exames em mãos. A consulta acontece, o laudo sai, e sobra alguma margem caso apareça algo.
Com 2 a 3 dias: é viável em atendimento de encaixe, desde que você chegue com o material completo. É o cenário em que a preparação prévia deixa de ser recomendação e passa a ser condição.
No dia anterior: depende muito do seu quadro. Em pacientes estáveis, sem doença cardíaca conhecida e com exames normais em mãos, é possível. Em pacientes com histórico cardiovascular relevante, o mais provável é que a avaliação identifique a necessidade de algum exame e a cirurgia acabe sendo remarcada.
Uma observação importante: correr atrás do laudo não é o mesmo que estar liberado. O objetivo da avaliação não é obter um carimbo a tempo. Se ela identificar algo que precisa ser investigado, adiar a cirurgia passa a ser a decisão mais segura, não a mais frustrante.
Quando a cirurgia realmente precisa ser adiada
Em algumas situações, a avaliação vai concluir que operar naquela data não é o melhor caminho. Vale conhecê-las de antemão para não interpretar o adiamento como burocracia.
Sintoma cardiovascular ativo e não investigado: dor no peito recente, falta de ar que piorou, desmaio, palpitação nova. Operar sem entender a causa aumenta o risco de forma real.
Pressão arterial muito descontrolada, que precisa de ajuste antes da anestesia.
Evento cardíaco recente: infarto, colocação de stent ou AVC há pouco tempo. Nesses casos existem intervalos mínimos de segurança antes de uma cirurgia eletiva, e eles variam conforme o procedimento realizado.
Alteração relevante em exame que exige investigação antes de seguir.
Uso de anticoagulante ou antiagregante que precisa de um plano combinado entre cardiologista, cirurgião e anestesista para ser suspenso ou mantido com segurança.
Se for esse o caso, peça ao médico que registre no laudo o que precisa ser resolvido e em quanto tempo. Com esse documento em mãos, o cirurgião consegue remarcar com um prazo realista, em vez de empurrar a data no escuro.
Cirurgia de urgência é diferente
Tudo o que foi dito até aqui vale para cirurgias eletivas, aquelas que podem ser programadas.
Em uma cirurgia de urgência ou emergência, a lógica se inverte: o risco de adiar costuma ser maior que o risco de operar. Nesses casos, a avaliação cardiológica acontece dentro do próprio hospital, muitas vezes à beira do leito, com os exames possíveis naquele momento, e a equipe assume um risco calculado porque a alternativa é pior.
Ou seja: se você está diante de uma situação aguda, não adie a ida ao hospital para tentar marcar um risco cirúrgico antes. A avaliação será feita lá dentro.
Em caso de dor no peito intensa, falta de ar súbita, desmaio ou sinais de infarto ou AVC, procure atendimento de emergência imediatamente ou ligue para o SAMU no 192.