O risco cirúrgico é feito por um médico, com mais frequência o cardiologista ou o clínico geral, em consultório, clínica ou hospital. Não é um exame de laboratório: é uma consulta médica que resulta em um laudo. Em Brasília e no Distrito Federal, você encontra esse atendimento em clínicas de cardiologia, centros médicos e consultórios particulares. O que mais importa na escolha não é o endereço, e sim três coisas: quem assina o laudo, em quanto tempo você consegue a consulta e se o laudo sai já no atendimento.
Qual médico faz o risco cirúrgico
Essa é a dúvida mais comum, e a resposta tem duas camadas.
Qualquer médico com registro ativo no CRM pode avaliar o risco cirúrgico e assinar o laudo. Na prática, isso costuma recair sobre o clínico geral ou o cardiologista.
O cardiologista é procurado quando existe questão cardiovascular envolvida, e é o que a maioria dos cirurgiões prefere quando o paciente tem hipertensão, diabetes, arritmia, histórico de infarto, stent, sopro, insuficiência cardíaca, ou quando a cirurgia é de médio ou grande porte. A razão é simples: se a avaliação apontar alguma alteração, o cardiologista já conduz a investigação na mesma linha de raciocínio, sem precisar de um novo encaminhamento.
Vale conferir uma coisa no papel: o médico precisa ter RQE (Registro de Qualificação de Especialista) para se apresentar como cardiologista. É um número diferente do CRM e confirma o título de especialista. Ele costuma aparecer no carimbo, ao lado do CRM.
Onde fazer a avaliação no DF
Existem quatro caminhos em Brasília, e cada um tem um perfil diferente de espera e de continuidade.
Clínicas de cardiologia. É o caminho mais direto quando existe alguma condição cardiovascular. Costumam ter os exames complementares no mesmo lugar, o que ajuda se a avaliação pedir um eletrocardiograma ou um ecocardiograma na hora.
Consultórios particulares. Tendem a ter as agendas mais flexíveis e são a alternativa mais viável quando a cirurgia está próxima, porque conseguem abrir encaixe com mais facilidade que estruturas grandes.
Hospitais. Fazem sentido quando a cirurgia será realizada no próprio hospital, já que o laudo circula internamente com a equipe.
Rede pública. Pela rede pública, a avaliação costuma ser encaminhada pela própria unidade que vai realizar a cirurgia, seguindo o fluxo de regulação. O tempo de espera é o principal fator a considerar.
Em qualquer um deles, faça uma pergunta antes de marcar: o laudo sai na própria consulta? Nem todo serviço entrega o documento no mesmo dia, e isso muda completamente o seu planejamento quando a data da cirurgia já está marcada.
O que levar para o laudo sair na mesma consulta
Este é o ponto que mais atrasa laudo, e é totalmente resolvível de antemão. O médico só consegue concluir a avaliação e assinar o documento se tiver o quadro completo na frente dele. Faltando peça, a consulta vira uma primeira etapa e você precisa voltar.
Leve o pedido do cirurgião ou do anestesista, que muitas vezes já especifica o que precisa ser avaliado.
Leve todos os exames que você já tem em mãos, mesmo os que considera antigos. Exames anteriores servem de comparação e às vezes evitam repetição.
Leve a lista dos seus medicamentos com as doses. Não confie na memória: anote ou fotografe as caixas. Medicação cardiovascular, anticoagulante e antiagregante são especialmente importantes, porque podem precisar de ajuste antes da cirurgia.
Leve laudos de doenças e cirurgias anteriores, relatórios de internação e, se tiver, resultados de cateterismo, angioplastia ou colocação de stent.
Leve a informação de qual cirurgia será feita e de que porte. Parece óbvio, mas muita gente chega sabendo apenas "vou operar o joelho". O tipo e o porte do procedimento entram diretamente no cálculo do risco.
E leve um documento de identificação com foto.
Com quanto tempo de antecedência marcar
A janela que funciona melhor é de 2 a 4 semanas antes da cirurgia.
Esse intervalo resolve os dois problemas ao mesmo tempo. É perto o suficiente para o laudo ainda estar válido no dia do procedimento, já que o prazo mais aceito é de 30 dias. E é distante o suficiente para dar tempo de resolver o que aparecer: um exame complementar, um ajuste de medicação, uma pressão que precisa ser controlada antes de operar.
Marcar cedo demais é o erro mais frequente. A pessoa faz a avaliação assim que decide operar, a cirurgia acontece três meses depois e o laudo já venceu.
Marcar em cima da hora é o erro mais caro, porque não sobra margem. Se a avaliação identificar algo que precisa ser investigado, a cirurgia é adiada de qualquer forma.
Se a sua cirurgia já está marcada e o prazo está apertado, procure um serviço que trabalhe com encaixe e avise da urgência logo no primeiro contato. Não deixe para explicar a situação na recepção no dia.
Como escolher onde fazer
Cinco perguntas resolvem a escolha melhor do que qualquer comparação de endereço.
Quem assina o laudo, e esse médico tem RQE? Confirme o registro de especialista.
Em quanto tempo consigo a consulta? Compare com a data da sua cirurgia antes de fechar.
O laudo sai na própria consulta? Se não sair, pergunte em quantos dias sai e some esse prazo ao seu planejamento.
Se precisar de exame complementar, é feito ali ou em outro lugar? Isso pode acrescentar semanas ao processo.
Há possibilidade de encaixe se a cirurgia for antecipada? Cirurgias mudam de data com frequência, e é bom saber de antemão.
Um cuidado final: não escolha pelo caminho mais rápido se ele custar a qualidade da avaliação. O objetivo do risco cirúrgico não é conseguir um carimbo de liberação, é chegar à sala de cirurgia com o coração realmente avaliado. Uma avaliação superficial que aprova sem olhar direito não protege ninguém.