Tontura e desmaio nem sempre vêm do coração, mas em parte dos casos sim. Quando a origem é cardíaca, costuma haver uma queda rápida do fluxo de sangue para o cérebro, provocada por uma arritmia (batimentos lentos ou acelerados demais) ou por uma alteração na estrutura do coração. Nesse cenário, o desmaio, chamado de síncope, tende a ser súbito, sem aviso, e pode acontecer deitado, durante o esforço ou junto com palpitações e dor no peito. A maioria das tonturas, porém, tem causas mais simples, como queda de pressão ao levantar, desidratação ou labirintite. Ainda assim, todo desmaio merece avaliação, porque só o médico separa o que é benigno do que pede atenção.
Quando a tontura ou o desmaio vêm do coração
O coração é uma bomba. Quando ele falha por alguns segundos em manter o sangue circulando, o cérebro fica sem oxigênio e o corpo responde com tontura ou desmaio. Esse desmaio de origem cardíaca se chama síncope cardíaca e tem uma marca registrada: aparece de repente, sem os avisos habituais como escurecimento da visão ou suor frio.
A causa mais frequente são as arritmias, quando o coração bate lento ou acelerado demais para bombear direito. Também podem entrar doenças das válvulas, do músculo cardíaco ou obstruções que limitam a saída de sangue. Por isso, um desmaio que surge no esforço ou com a pessoa deitada merece um olhar cuidadoso.
Tontura, vertigem e desmaio não são a mesma coisa
As palavras se misturam no dia a dia, mas descrevem sensações diferentes, e isso ajuda a encontrar a causa. A tontura é a sensação de cabeça leve, a impressão de que vai desmaiar. A vertigem é a sensação de que o ambiente gira, mais ligada ao labirinto, no ouvido interno, do que ao coração.
Já o desmaio, ou síncope, é a perda breve e completa da consciência, com recuperação espontânea em poucos segundos ou minutos. Descrever bem o que você sentiu, e o que fazia no momento, vale mais do que qualquer exame no início da investigação.
Sinais de alerta que merecem avaliação logo
A maior parte dos desmaios é benigna, principalmente a síncope vasovagal, aquela que vem depois de ficar muito tempo em pé, com calor, dor ou susto. Ela costuma dar aviso: náusea, suor e visão escurecendo. Nesses casos, deitar ou elevar as pernas resolve.
Alguns sinais, porém, aumentam a chance de a causa ser cardíaca e pedem avaliação sem demora. Não é motivo para pânico, e sim para procurar o médico com a informação certa em mãos.
Causas cardíacas mais comuns
Quando a origem é o coração, algumas condições aparecem com mais frequência. As arritmias lideram: o coração que bate devagar demais pode deixar o cérebro sem sangue por instantes, e o que dispara acelerado demais não enche direito entre um batimento e outro.
Há ainda as causas estruturais, como o estreitamento da válvula aórtica (a estenose aórtica), as doenças do músculo cardíaco e, com menos frequência, problemas que exigem investigação específica. Identificar qual delas está por trás do sintoma é o que define o tratamento.
Como o cardiologista investiga
A investigação começa com uma boa conversa. Saber como foi o desmaio, o que você fazia, se houve aviso e como você se recuperou orienta boa parte do diagnóstico. Em seguida, vem o exame físico, incluindo a medida da pressão deitado e em pé, e o eletrocardiograma.
Dependendo do caso, a Dra. Fernanda Pimenta pode pedir exames que acompanham o coração ao longo do tempo, como o Holter 24h, que registra o ritmo por um dia inteiro, e o ecocardiograma, que mostra a estrutura do coração. A ideia não é acumular exames, e sim escolher os que respondem à dúvida do seu caso.
O que fazer na hora e quando procurar ajuda
Se você sentir que vai desmaiar, sente ou deite o quanto antes e eleve as pernas. Isso ajuda o sangue a voltar para a cabeça e muitas vezes evita a queda, que costuma ser o que mais machuca. Ao ver alguém desmaiar, deite a pessoa de costas, eleve as pernas e observe a respiração.
A maioria dos desmaios se resolve sozinha, mas algumas situações são emergência e pedem o SAMU (192) na hora.