A bradicardia é quando o coração bate devagar, em geral abaixo de 60 batimentos por minuto em repouso. Isso nem sempre é um problema. Em atletas e em pessoas com bom condicionamento físico, um coração lento costuma ser sinal de eficiência, não de doença. Também é comum e esperado que os batimentos caiam durante o sono. O que faz diferença é a presença de sintomas: se a frequência baixa vem acompanhada de cansaço, tontura, falta de ar ou desmaio, aí sim ela precisa ser investigada. A avaliação de uma cardiologista, a partir da sua história e de exames simples, é o que separa a bradicardia benigna daquela que pede tratamento.
O que é bradicardia e a partir de quando o coração é lento
Chamamos de bradicardia a frequência cardíaca em repouso abaixo de 60 batimentos por minuto. O coração de um adulto costuma bater entre 60 e 100 vezes por minuto, então valores menores entram nessa definição. Mas o número sozinho diz pouco: o mesmo 50 por minuto pode ser saudável em uma pessoa e um alerta em outra.
O que muda é o contexto. O corpo ajusta a frequência o tempo todo, subindo no esforço e caindo no descanso. Por isso a cardiologista não olha só para o valor isolado, mas para como você se sente com ele e para o que o coração faz ao longo do dia.
Quando o coração lento é normal
Na maioria das vezes, um coração que bate devagar é apenas um coração eficiente. Quem pratica exercício físico com regularidade desenvolve um músculo cardíaco mais forte, capaz de bombear mais sangue a cada batida. O resultado é uma frequência de repouso mais baixa, às vezes na casa dos 40 e poucos, sem prejuízo.
Também é normal a frequência cair durante o sono e em pessoas jovens. Alguns remédios para pressão e para o coração, como os betabloqueadores, reduzem os batimentos de forma esperada. Nesses casos, a bradicardia não é doença: é uma resposta previsível do organismo.
Quando a bradicardia merece atenção
A bradicardia passa a preocupar quando o coração bate devagar demais para atender ao corpo, deixando órgãos como o cérebro com menos sangue do que precisam. É aí que aparecem os sintomas. Uma frequência baixa acompanhada de mal-estar não deve ser ignorada, mesmo que o número não pareça tão baixo.
As causas variam. Pode ser um problema no nó sinusal, o marca-passo natural do coração, que perde ritmo com a idade. Pode ser um bloqueio atrioventricular, uma falha na condução elétrica entre as câmaras do coração. Alterações da tireoide, distúrbios de potássio e alguns remédios em dose alta também entram na lista. Descobrir a causa é o que orienta a conduta.
Sinais de alerta e quando procurar ajuda
Alguns quadros pedem avaliação sem demora. Se você desmaiou, sentiu que ia desmaiar, teve dor no peito importante ou falta de ar que não passa, procure atendimento médico. Um desmaio com queda, sobretudo em quem é mais velho ou já tem doença do coração, nunca deve ser tratado como algo banal.
Diante de um desmaio com dor no peito forte, falta de ar intensa ou uma pessoa que não responde direito, não espere para ver se melhora: acione o SAMU pelo 192. Já sintomas leves e recorrentes, como tontura passageira ou cansaço fora do comum, merecem uma consulta agendada com calma, mas não devem ser deixados de lado.
Como a cardiologista investiga a bradicardia
A investigação começa pela conversa e pelo exame clínico. A cardiologista quer entender quando os sintomas aparecem, se há relação com esforço ou repouso e quais remédios você usa. O eletrocardiograma costuma ser o primeiro exame, pois mostra o ritmo do coração e ajuda a identificar bloqueios.
Como a bradicardia muitas vezes vai e volta, um registro de poucos segundos pode não capturá-la. Por isso o Holter 24 horas, que grava os batimentos por um dia inteiro, é tão útil: ele cruza o que você sentiu com o que o coração fez. Exames de sangue, como tireoide e potássio, completam o quadro quando necessário. A Dra. Fernanda Pimenta define quais exames fazem sentido no seu caso.
Tratamento: nem toda bradicardia precisa de intervenção
A boa notícia é que muita bradicardia não precisa de tratamento. Quando o coração bate devagar e você não sente nada, com exames dentro do esperado, a conduta costuma ser apenas acompanhamento. Se a causa for um remédio, às vezes basta ajustar a dose ou trocar a medicação, sempre com orientação médica e nunca por conta própria.
Quando a bradicardia causa sintomas importantes e vem de uma falha elétrica que não se resolve de outra forma, o tratamento pode incluir o marca-passo, um pequeno aparelho que ajuda o coração a manter um ritmo adequado. A decisão é individual, tomada com você depois de esclarecida a causa, sempre com o objetivo de devolver qualidade de vida com segurança.