Pré-operatório

Risco cirúrgico para cirurgia vascular e de varizes

Varizes podem parecer um problema só das pernas, mas quem opera vasos costuma ter os mesmos vasos do coração sob atenção. Entenda por que a avaliação olha o corpo todo.

Risco cirúrgico para cirurgia vascular e de varizes — ilustração do artigo da Dra. Fernanda Pimenta, cardiologista em Brasília-DF

A cirurgia de varizes é, na maioria das vezes, um procedimento de risco baixo a moderado. Mas há um detalhe que o cardiologista nunca perde de vista: a doença dos vasos quase nunca é local. Quem tem alteração importante nas veias e, sobretudo, nas artérias das pernas costuma ter o mesmo processo de aterosclerose nas artérias do coração e do cérebro. Por isso, mais do que liberar a cirurgia, a avaliação é uma boa oportunidade de olhar o sistema cardiovascular como um todo — e a prevenção de trombose entra no plano desde o começo.

Por que o cardiologista olha além das pernas

Existe uma diferença importante entre a cirurgia de varizes (um problema das veias, geralmente estético e de desconforto) e as cirurgias vasculares arteriais (sobre artérias entupidas, aneurismas, circulação das pernas). As arteriais são de risco cardiovascular mais alto.

O ponto comum é que a pessoa que precisa operar artérias frequentemente carrega aterosclerose difusa: as mesmas placas que estreitam a artéria da perna podem estar nas coronárias, muitas vezes de forma silenciosa.

Por isso, nessas cirurgias, a avaliação costuma ser mais detalhada. Já na cirurgia de varizes mais simples, ela tende a ser mais enxuta, proporcional ao risco real do procedimento — sem deixar de aproveitar a consulta para rastrear fatores de risco.

O que costuma ser avaliado

Histórico clínico: pressão, diabetes, colesterol, tabagismo (fator de peso enorme na doença vascular), infarto ou AVC anteriores, dor nas pernas ao caminhar e histórico de trombose.

Capacidade funcional: o quanto você se esforça sem sintomas. Quando a própria doença das pernas limita a caminhada, essa avaliação exige um pouco mais de cuidado para não subestimar o coração.

Eletrocardiograma e exames de sangue (glicemia, perfil lipídico, função renal).

Ecocardiograma e testes de esforço ou imagem entram conforme os sintomas e o tipo de cirurgia — mais provável nas vasculares arteriais, menos na varizes simples.

Plano de medicações e de prevenção de trombose, com orientação clara sobre antiagregantes e anticoagulantes.

Trombose: o risco que acompanha a doença das veias

Quem tem varizes e doença das veias já parte de um terreno em que o sangue circula mais devagar nas pernas, o que favorece a formação de coágulos.

Por isso a prevenção de trombose é parte natural do planejamento: avaliação do risco individual, mobilização precoce, compressão quando indicada e, em casos selecionados, medicação preventiva.

Um coágulo nas veias profundas pode se soltar e chegar ao pulmão, de modo que esse cuidado não é exagero — é o que reduz uma das complicações que mais preocupam.

Quem já teve trombose ou embolia antes deve deixar isso bem claro, porque muda o plano e, às vezes, a própria técnica cirúrgica escolhida pelo cirurgião vascular.

O que pode adiar a liberação

Sintomas cardíacos não esclarecidos: dor no peito aos esforços, falta de ar desproporcional ou desmaios.

Doença coronária suspeita em quem vai operar artérias, situação em que às vezes é preciso investigar o coração antes.

Pressão ou diabetes muito descontrolados, que pedem ajuste.

Tabagismo ativo, que não impede a cirurgia, mas cujo abandono, mesmo que recente, já melhora a cicatrização e reduz complicações.

Em cirurgias eletivas, usar esse tempo para estabilizar os fatores de risco costuma valer a pena — e protege não só a cirurgia, mas o coração a longo prazo.

Conteúdo informativo, escrito pela Dra. Fernanda Pimenta. Não substitui uma consulta médica. Em caso de sintomas graves, procure atendimento de emergência.

Tire suas dúvidas

Perguntas sobre risco cirúrgico para varizes

A cirurgia de varizes é perigosa para o coração?

Na maioria das vezes, não — é um procedimento de risco baixo a moderado. A atenção maior é com as cirurgias vasculares arteriais (artérias entupidas, aneurismas), que têm risco cardiovascular mais alto. De todo modo, a avaliação é uma boa chance de olhar o coração, porque a doença dos vasos costuma ser sistêmica.

Por que operar a perna exige avaliação do coração?

Porque as placas de gordura que estreitam as artérias das pernas costumam estar também nas artérias do coração, muitas vezes de forma silenciosa. Quem tem doença vascular arterial importante tem, com frequência, doença coronária junto. Por isso o cardiologista olha o sistema todo, não apenas o local da cirurgia.

Vou operar varizes e tomo anticoagulante. E agora?

O manejo depende do tipo de cirurgia e do motivo pelo qual você usa o anticoagulante. Em procedimentos com risco de sangramento, pode ser necessário ajustar, às vezes com uma transição; em outros, manter. A decisão é individual, feita em conjunto por cardiologista e cirurgião vascular. Não suspenda nada por conta própria.

Como é feita a prevenção de trombose nessa cirurgia?

Com avaliação do risco individual, mobilização precoce, compressão quando indicada e, em casos selecionados, medicação preventiva. Como a doença das veias já favorece a formação de coágulos, esse cuidado faz parte do plano. Quem já teve trombose ou embolia deve informar, porque isso altera o planejamento e, às vezes, a técnica cirúrgica.

Fumo. Preciso parar antes da cirurgia vascular?

O tabagismo não impede a cirurgia, mas é o fator de risco mais pesado na doença vascular. Parar de fumar, mesmo que poucas semanas antes, já melhora a cicatrização e reduz complicações no pós-operatório — e protege as artérias a longo prazo. A avaliação pré-operatória é um ótimo momento para começar esse passo.