Pré-operatório

Risco cirúrgico para endoscopia e colonoscopia com sedação

Não são cirurgias, mas usam sedação — e é a sedação, somada ao jejum e aos anticoagulantes, que às vezes faz a clínica pedir uma avaliação do coração. Entenda.

Risco cirúrgico para endoscopia e colonoscopia com sedação — ilustração do artigo da Dra. Fernanda Pimenta, cardiologista em Brasília-DF

Endoscopia e colonoscopia não são cirurgias: são exames feitos com sedação, não com anestesia geral. Ainda assim, é comum a clínica pedir uma avaliação cardiológica antes, e isso costuma gerar dúvida. O motivo é que a sedação, embora leve, mexe com a pressão e a respiração; o jejum pode descompensar quem tem diabetes ou pressão alta; e a colonoscopia, quando pode envolver a retirada de pólipos, levanta a questão do que fazer com os remédios que afinam o sangue. Na maioria das pessoas o risco é baixo, mas vale entender quando a cautela faz sentido.

Por que pedem avaliação para um exame com sedação

A sedação usada nesses exames é mais leve que uma anestesia geral, mas ainda assim relaxa o paciente a ponto de reduzir um pouco a respiração e oscilar a pressão. Em quem tem o coração bem, isso é administrado sem dificuldade pela equipe.

A avaliação entra quando há uma condição que pede cuidado: doença cardíaca conhecida, pressão alta mal controlada, apneia do sono, uso de anticoagulante ou um histórico de infarto, stent ou arritmia.

O objetivo do cardiologista aqui é simples e tranquilizador: confirmar que o coração suporta bem a sedação, ajustar o que precisar e orientar as medicações — em especial as que afinam o sangue, caso a colonoscopia possa incluir a retirada de pólipos.

Anticoagulantes e a possibilidade de retirar pólipos

Aqui está a diferença mais importante entre os dois exames. A endoscopia e a colonoscopia apenas diagnósticas (só para olhar) têm risco de sangramento muito baixo, e muitas vezes não é preciso mexer nos anticoagulantes.

A questão muda quando a colonoscopia pode virar terapêutica — ou seja, quando o médico encontra um pólipo e o retira na hora. Essa retirada tem risco de sangramento, e é por isso que, nesses casos, o manejo de anticoagulantes e antiagregantes precisa ser planejado antes.

Como não dá para saber de antemão se haverá pólipo, a conduta costuma ser definida pelo risco esperado e pelo motivo de você usar o remédio. Em quem tem stent recente ou fibrilação atrial, esse planejamento é ainda mais cuidadoso.

A regra de ouro se repete: não suspenda anticoagulante por conta própria antes do exame. Leve as caixas e o pedido à consulta para que o plano saia pronto.

Jejum, pressão e diabetes no dia do exame

O preparo da colonoscopia inclui jejum e laxante, que podem desidratar e baixar a pressão, especialmente em idosos e em quem usa diurético.

Quem tem diabetes precisa de orientação específica sobre como ajustar a insulina ou os comprimidos no dia do jejum, para não ter uma queda perigosa de glicose.

As medicações do coração e da pressão costumam ter uma orientação própria: muitas são mantidas com um gole d'água, mas algumas podem ser ajustadas no dia. Essa lista personalizada é parte do que a avaliação entrega.

Esses detalhes parecem pequenos, mas são justamente o que evita a desmarcação do exame em cima da hora ou um mal-estar durante o preparo.

Quando vale a pena adiar

Sintomas cardíacos ativos: dor no peito, falta de ar recente, palpitações ou desmaios ainda não investigados.

Pressão muito descontrolada ou diabetes muito descompensado no momento.

Infarto, stent ou arritmia recém-diagnosticada, que podem pedir um ajuste antes da sedação.

Fora essas situações, o mais comum não é adiar, e sim seguir com o exame — que, no caso da colonoscopia, é uma ferramenta importante de prevenção do câncer de intestino e não deve ser deixado de lado sem necessidade.

Conteúdo informativo, escrito pela Dra. Fernanda Pimenta. Não substitui uma consulta médica. Em caso de sintomas graves, procure atendimento de emergência.

Tire suas dúvidas

Perguntas sobre risco cirúrgico para endoscopia e colonoscopia

Endoscopia e colonoscopia precisam de avaliação cardiológica?

Nem sempre. Para quem tem o coração bem, a sedação é administrada sem dificuldade. A avaliação costuma ser pedida quando há doença cardíaca conhecida, pressão mal controlada, apneia do sono, uso de anticoagulante ou histórico de infarto, stent ou arritmia. Serve para confirmar que o coração suporta a sedação e orientar as medicações.

Preciso parar o anticoagulante antes da colonoscopia?

Depende de o exame poder incluir a retirada de pólipos. A colonoscopia apenas diagnóstica tem risco de sangramento muito baixo; já a retirada de pólipos exige planejamento dos anticoagulantes e antiagregantes. Como não se sabe de antemão se haverá pólipo, a conduta é definida pelo risco esperado. Não suspenda nada por conta própria.

A sedação da colonoscopia é perigosa para quem tem problema no coração?

A sedação é mais leve que uma anestesia geral, mas reduz um pouco a respiração e pode oscilar a pressão. Em corações estáveis, isso é bem tolerado e monitorado pela equipe. Em quem tem doença cardíaca, a avaliação prévia ajusta o que for necessário para o exame transcorrer com segurança.

Tenho diabetes. Como ficam meus remédios no jejum do exame?

O jejum e o laxante exigem ajuste da insulina ou dos comprimidos do diabetes para evitar uma queda perigosa de glicose. Também é preciso orientar quais remédios do coração e da pressão manter no dia. Essa lista personalizada faz parte da avaliação pré-exame e evita mal-estar durante o preparo.

O preparo da colonoscopia pode baixar minha pressão?

Pode. O jejum e o laxante desidratam e podem baixar a pressão, principalmente em idosos e em quem usa diurético. Por isso a orientação sobre hidratação e sobre o ajuste de algumas medicações no dia do preparo é importante, e é parte do que o cardiologista define na avaliação.