Parar de fumar é uma das decisões que mais protegem o coração, e os benefícios começam rápido. Em cerca de 20 minutos sem cigarro, a frequência cardíaca e a pressão tendem a se acomodar. Em 1 ano, o risco de doença coronariana cai pela metade em relação a quem continua fumando. Ao longo dos anos, o risco de infarto e AVC segue diminuindo e se aproxima do de quem nunca fumou. O cigarro agride as artérias, favorece coágulos e acelera o entupimento dos vasos, então cada dia sem fumar conta. Não importa a idade nem há quanto tempo você fuma: largar sempre traz ganho para o coração.
Por que o cigarro faz mal ao coração
O cigarro age no coração e nos vasos por vários caminhos ao mesmo tempo. A nicotina acelera os batimentos e contrai as artérias, o que eleva a pressão e faz o coração trabalhar mais. O monóxido de carbono da fumaça ocupa o lugar do oxigênio no sangue, então chega menos oxigênio ao músculo cardíaco justamente quando ele precisa de mais.
Com o tempo, as substâncias do cigarro inflamam e endurecem a parede das artérias, favorecem o acúmulo de placas de gordura (aterosclerose) e deixam o sangue mais propenso a formar coágulos. É essa combinação que aumenta o risco de infarto e AVC em quem fuma.
O que muda no coração hora a hora e dia a dia
A recuperação começa cedo. Em cerca de 20 minutos após o último cigarro, a frequência cardíaca e a pressão tendem a baixar. Em torno de 12 horas, o nível de monóxido de carbono no sangue cai e o oxigênio volta a circular melhor. Nas primeiras semanas e meses, a circulação e o fôlego melhoram, e atividades do dia a dia ficam mais fáceis.
Esses ganhos iniciais não são só bem-estar: refletem um coração menos sobrecarregado. Quanto mais tempo longe do cigarro, mais o corpo consolida essa recuperação.
Os ganhos que vêm com meses e anos
Os benefícios maiores para o coração aparecem com a continuidade. Por volta de 1 ano sem fumar, o risco de doença coronariana fica cerca da metade do de quem continua fumando. Em torno de 5 anos, o risco de AVC pode se aproximar bastante do de um não fumante, dependendo do histórico.
Depois de cerca de 15 anos, o risco de doença do coração tende a se igualar ao de quem nunca fumou. Mesmo quem já tem doença cardíaca ou já teve um infarto se beneficia muito: parar de fumar é uma das medidas que mais reduzem a chance de um novo evento.
E o cigarro eletrônico e o fumante passivo?
É comum a dúvida se o cigarro eletrônico (vape) ou o narguilé são alternativas seguras. Não são. Esses produtos também entregam nicotina e outras substâncias que afetam a pressão, os vasos e o ritmo do coração. Trocar o cigarro comum por eles não é o mesmo que parar.
O fumante passivo, quem convive com a fumaça sem fumar, também corre risco cardiovascular aumentado. Por isso, parar de fumar protege não só você, mas quem convive na mesma casa, especialmente crianças e quem já tem problema de coração.
Como largar o cigarro com mais chance de sucesso
Parar de fumar é difícil porque a nicotina causa dependência, e recaídas fazem parte do processo para muita gente. A boa notícia é que existe ajuda eficaz. A combinação de apoio profissional com medicações que reduzem a fissura, como a reposição de nicotina em adesivo ou goma e alguns comprimidos específicos, aumenta bastante a chance de conseguir.
Na consulta, a Dra. Fernanda Pimenta avalia o seu risco cardiovascular, orienta as estratégias mais adequadas ao seu caso e acompanha o processo com você. No Brasil, o SUS também oferece tratamento gratuito para parar de fumar, com grupos de apoio e medicação.