Prevenção

Parar de fumar: o que muda no coração ao longo do tempo?

A boa notícia é que o coração começa a se recuperar quase de imediato quando o cigarro para. Entenda o que muda em minutos, semanas e anos, e por que nunca é tarde para largar.

Parar de fumar: o que muda no coração? — orientação com a Dra. Fernanda Pimenta, cardiologista

Parar de fumar é uma das decisões que mais protegem o coração, e os benefícios começam rápido. Em cerca de 20 minutos sem cigarro, a frequência cardíaca e a pressão tendem a se acomodar. Em 1 ano, o risco de doença coronariana cai pela metade em relação a quem continua fumando. Ao longo dos anos, o risco de infarto e AVC segue diminuindo e se aproxima do de quem nunca fumou. O cigarro agride as artérias, favorece coágulos e acelera o entupimento dos vasos, então cada dia sem fumar conta. Não importa a idade nem há quanto tempo você fuma: largar sempre traz ganho para o coração.

Por que o cigarro faz mal ao coração

O cigarro age no coração e nos vasos por vários caminhos ao mesmo tempo. A nicotina acelera os batimentos e contrai as artérias, o que eleva a pressão e faz o coração trabalhar mais. O monóxido de carbono da fumaça ocupa o lugar do oxigênio no sangue, então chega menos oxigênio ao músculo cardíaco justamente quando ele precisa de mais.

Com o tempo, as substâncias do cigarro inflamam e endurecem a parede das artérias, favorecem o acúmulo de placas de gordura (aterosclerose) e deixam o sangue mais propenso a formar coágulos. É essa combinação que aumenta o risco de infarto e AVC em quem fuma.

O que muda no coração hora a hora e dia a dia

A recuperação começa cedo. Em cerca de 20 minutos após o último cigarro, a frequência cardíaca e a pressão tendem a baixar. Em torno de 12 horas, o nível de monóxido de carbono no sangue cai e o oxigênio volta a circular melhor. Nas primeiras semanas e meses, a circulação e o fôlego melhoram, e atividades do dia a dia ficam mais fáceis.

Esses ganhos iniciais não são só bem-estar: refletem um coração menos sobrecarregado. Quanto mais tempo longe do cigarro, mais o corpo consolida essa recuperação.

Os ganhos que vêm com meses e anos

Os benefícios maiores para o coração aparecem com a continuidade. Por volta de 1 ano sem fumar, o risco de doença coronariana fica cerca da metade do de quem continua fumando. Em torno de 5 anos, o risco de AVC pode se aproximar bastante do de um não fumante, dependendo do histórico.

Depois de cerca de 15 anos, o risco de doença do coração tende a se igualar ao de quem nunca fumou. Mesmo quem já tem doença cardíaca ou já teve um infarto se beneficia muito: parar de fumar é uma das medidas que mais reduzem a chance de um novo evento.

E o cigarro eletrônico e o fumante passivo?

É comum a dúvida se o cigarro eletrônico (vape) ou o narguilé são alternativas seguras. Não são. Esses produtos também entregam nicotina e outras substâncias que afetam a pressão, os vasos e o ritmo do coração. Trocar o cigarro comum por eles não é o mesmo que parar.

O fumante passivo, quem convive com a fumaça sem fumar, também corre risco cardiovascular aumentado. Por isso, parar de fumar protege não só você, mas quem convive na mesma casa, especialmente crianças e quem já tem problema de coração.

Como largar o cigarro com mais chance de sucesso

Parar de fumar é difícil porque a nicotina causa dependência, e recaídas fazem parte do processo para muita gente. A boa notícia é que existe ajuda eficaz. A combinação de apoio profissional com medicações que reduzem a fissura, como a reposição de nicotina em adesivo ou goma e alguns comprimidos específicos, aumenta bastante a chance de conseguir.

Na consulta, a Dra. Fernanda Pimenta avalia o seu risco cardiovascular, orienta as estratégias mais adequadas ao seu caso e acompanha o processo com você. No Brasil, o SUS também oferece tratamento gratuito para parar de fumar, com grupos de apoio e medicação.

Conteúdo informativo, escrito pela Dra. Fernanda Pimenta. Não substitui uma consulta médica. Em caso de sintomas graves, procure atendimento de emergência.

Tire suas dúvidas

Perguntas frequentes

Já fumo há muitos anos. Ainda vale a pena parar?

Vale, e muito. O coração começa a se recuperar em minutos, e o risco de infarto e AVC cai de forma contínua a partir do dia em que você para, independentemente da idade ou do tempo de cigarro. Mesmo quem já tem doença cardíaca reduz bastante o risco de novos eventos ao largar. Nunca é tarde para ganhar essa proteção.

Engordar depois de parar de fumar não é pior para o coração?

Muitas pessoas ganham alguns quilos ao parar, mas o benefício de largar o cigarro para o coração supera com folga o risco desse ganho de peso. Com alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento, dá para controlar o peso enquanto colhe a proteção cardiovascular de estar livre do cigarro.

O cigarro eletrônico é uma opção mais segura para o coração?

Não. O cigarro eletrônico também contém nicotina e outras substâncias que afetam a pressão, as artérias e o ritmo do coração. Trocar o cigarro comum pelo vape não é o mesmo que parar de fumar e não deve ser encarado como solução segura para o coração.

Sinto o peito apertado e fumo. Isso é emergência?

Dor ou aperto no peito que não passa, principalmente se vier com falta de ar, suor frio, enjoo ou dor no braço, pode ser sinal de infarto e é emergência. Nesse caso, ligue imediatamente para o SAMU no 192. Fora da urgência, procure uma avaliação cardiológica para investigar os sintomas com calma.

Como agendo uma consulta para me ajudar a parar de fumar?

A Dra. Fernanda Pimenta avalia o seu risco cardiovascular e orienta as melhores estratégias para largar o cigarro, acompanhando o processo com você. Para marcar consulta em Brasília, chame no WhatsApp (61) 99817-3262 ou ligue para (61) 3773-4222.