Alguns exames de sangue ajudam a cardiologista a enxergar o coração por dentro, mesmo sem tocá-lo. Eles medem fatores que, com o tempo, podem danificar as artérias, como o colesterol, a glicose e a inflamação, e também detectam substâncias que o coração libera quando está sob estresse, como a troponina e o BNP. Nenhum exame isolado fecha um diagnóstico: o valor está em juntar os números com a sua história, o exame físico e, às vezes, outros testes. Por serem simples e acessíveis, esses exames são peças centrais na prevenção cardiovascular e no acompanhamento de quem já cuida do coração. Quem interpreta e define o que pedir é o seu médico.
O que o perfil lipídico mostra (colesterol e triglicerídeos)
O perfil lipídico é provavelmente o exame de sangue mais conhecido do coração. Ele mede as gorduras que circulam no sangue e ajuda a estimar o risco de formação de placas nas artérias, o processo por trás do infarto e do AVC. O resultado traz o colesterol total, o LDL (o chamado colesterol ruim, que se deposita nas paredes das artérias), o HDL (o colesterol protetor) e os triglicerídeos.
O que se considera ideal varia de pessoa para pessoa. Alguém com diabetes ou que já teve um infarto precisa de um LDL bem mais baixo do que uma pessoa sem outros fatores. Por isso, o mesmo número pode ser bom para um e alto para outro. É a cardiologista quem define a sua meta a partir do seu risco global.
Como a glicose e a hemoglobina glicada avaliam o açúcar
O diabetes e a pré-diabetes são fatores importantes de risco para o coração, e muitas vezes não dão sintomas. Por isso, avaliar o açúcar no sangue faz parte da rotina de proteção cardiovascular. A glicemia de jejum mostra o açúcar naquele momento, enquanto a hemoglobina glicada revela a média dos últimos dois a três meses, um retrato mais estável.
Manter a glicose controlada reduz o desgaste das artérias ao longo dos anos. Quando os valores começam a subir, ainda na faixa de pré-diabetes, já é possível agir com mudanças no estilo de vida e, se necessário, medicação, evitando que o quadro evolua e sobrecarregue o coração.
Marcadores de lesão do coração: troponina e BNP
Alguns exames de sangue detectam quando o coração está de fato sofrendo. A troponina é uma proteína que o músculo cardíaco libera quando suas células são lesadas. Por isso, ela é fundamental no pronto-socorro diante de uma dor no peito: uma troponina alterada ajuda a confirmar o infarto. É um exame de urgência, não de rotina.
Já o BNP (ou NT-proBNP) sobe quando o coração está trabalhando sob pressão, o que ocorre na insuficiência cardíaca. Ele ajuda a esclarecer se uma falta de ar vem do coração ou de outra causa, e também a acompanhar quem já tem esse diagnóstico. Esses marcadores são sempre lidos junto com os sintomas e outros exames.
Inflamação, tireoide e função renal
Outros exames completam o retrato do coração de forma indireta. A PCR ultrassensível mede um marcador de inflamação que, em certos casos, agrega informação ao risco cardiovascular. A avaliação da tireoide (com o TSH) também importa, porque tanto o excesso quanto a falta de hormônio tireoidiano afetam os batimentos e a pressão.
A função renal (creatinina e o cálculo do ritmo de filtração) entra na conta porque rim e coração trabalham juntos, e problemas em um repercutem no outro. O potássio e o sódio também são acompanhados, principalmente em quem usa remédios para pressão ou para o coração, já que essas medicações podem alterar esses valores.
Como se preparar e quando fazer os exames
O preparo depende do que será medido. Muitos laboratórios já não exigem jejum para o perfil lipídico, mas alguns exames ainda pedem, então vale confirmar as orientações na hora de agendar a coleta. Manter a rotina alimentar dos dias anteriores e informar todos os remédios que você usa ajuda a deixar o resultado mais fiel à sua realidade.
A frequência é individual. Uma pessoa jovem e sem fatores de risco não precisa repetir os exames com a mesma frequência de quem tem hipertensão, diabetes ou histórico familiar de doença no coração. Na consulta, a Dra. Fernanda Pimenta define quais exames fazem sentido para você e de quanto em quanto tempo repetir, evitando tanto o excesso quanto a falta.