O AVC (acidente vascular cerebral, o popular derrame) e o coração estão mais ligados do que parece. Boa parte dos AVCs acontece quando um coágulo viaja até o cérebro e entope um vaso, e esse coágulo muitas vezes se forma dentro do próprio coração. A causa mais conhecida é a fibrilação atrial, uma arritmia que faz o sangue estagnar e coagular. A pressão alta também é protagonista, porque desgasta as artérias que levam sangue ao cérebro. A boa notícia é que grande parte desses casos é prevenível: controlar a pressão, tratar arritmias e cuidar do coração reduz muito o risco. Quem orienta esse cuidado é a cardiologista, a partir da sua história.
Como um problema do coração vira um AVC
Existem dois tipos principais de AVC. O AVC isquêmico, o mais comum, acontece quando um coágulo entope uma artéria do cérebro e interrompe a chegada de sangue. O AVC hemorrágico ocorre quando um vaso se rompe e sangra dentro do cérebro, situação muito ligada à pressão alta não controlada. Em ambos, parte do cérebro fica sem irrigação e as células sofrem em poucos minutos.
A ligação aparece principalmente no AVC isquêmico. Quando o coração bate de forma irregular ou tem alguma alteração estrutural, pode formar coágulos dentro dele. Esse coágulo se solta, viaja pela circulação e para em um vaso do cérebro. É o chamado AVC cardioembólico: o coração é a origem do problema que aparece no cérebro.
Fibrilação atrial: a arritmia que mais causa AVC
A fibrilação atrial é a arritmia mais associada ao AVC. Nela, as câmaras superiores do coração, os átrios, não contraem de forma organizada e tremem em vez de bater. Com esse batimento caótico, o sangue pode estagnar em um cantinho do átrio, favorecendo coágulos que depois viajam até o cérebro.
Essa arritmia é perigosa porque muitas vezes é silenciosa ou aparece só em crises. A pessoa pode sentir palpitações, cansaço e falta de ar, ou não sentir nada. Por isso, investigar batimentos irregulares ajuda a prevenir o derrame. Diagnosticada a fibrilação atrial, há tratamento eficaz para reduzir o risco, incluindo anticoagulantes quando indicados.
Pressão alta, o fator de risco número um
A hipertensão é o principal fator de risco para o AVC, tanto o isquêmico quanto o hemorrágico. A pressão elevada por muito tempo vai desgastando e enrijecendo as artérias, inclusive as que levam sangue ao cérebro. Esse desgaste favorece o entupimento e enfraquece a parede dos vasos, que podem se romper.
O problema é que a pressão alta costuma não dar sintomas por anos, e muita gente convive com ela sem saber. Mantê-la sob controle é uma das medidas que mais reduzem o risco de derrame, com medição regular, hábitos saudáveis e, quando necessário, medicação orientada.
Outras condições do coração que aumentam o risco
A fibrilação atrial e a hipertensão são as principais, mas não as únicas. O infarto recente pode deixar áreas do coração com sangue parado, e as doenças das válvulas e a insuficiência cardíaca também elevam o risco de coágulos.
Fatores gerais completam o quadro. Diabetes, colesterol alto, tabagismo, obesidade e sedentarismo agridem os vasos ao longo do tempo. Por isso, a prevenção do AVC caminha junto com o cuidado global do coração, e não como algo separado.
Reconhecer o AVC rápido pode salvar
No AVC, tempo é cérebro: quanto mais rápido o atendimento, maior a chance de recuperação e menor a sequela. Existe um jeito simples de reconhecer os sinais, o teste SAMU, que ajuda a lembrar o que observar. Diante de qualquer suspeita, não espere passar: ligue imediatamente para o 192 (SAMU).
Os sinais costumam aparecer de repente, sem explicação, mesmo que pareçam melhorar depois. Anotar o horário em que começaram ajuda muito a equipe médica.
O que a prevenção cardiológica pode fazer
A maior parte dos AVCs pode ser evitada, e o cuidado com o coração é central nessa prevenção. Controlar a pressão, investigar arritmias como a fibrilação atrial, cuidar do colesterol e do diabetes e adotar hábitos saudáveis protege ao mesmo tempo o coração e o cérebro. Não é uma medida isolada, e sim acompanhamento ao longo do tempo.
Na consulta, a Dra. Fernanda Pimenta avalia o seu risco individual, examina o ritmo do coração e a pressão e monta um plano de prevenção adequado à sua história. O objetivo é agir antes, tratar o que for possível e reduzir o risco de um evento grave, com decisões claras e no seu tempo.